A criança vegetariana pode ser saudável também!

Pais vegetarianos tendem a estender a prática aos seus filhos também. E isso é certo?
Não há certo ou errado nessa situação, já que crenças e hábitos não são facilmente mudados.
As principais preocupações em relação às crianças vegetarianas se concentram no ferro, no cálcio, na vitamina B12, no zinco e, quando não há suficiente exposição ao sol, na vitamina D. Alimentos de origem animal, fontes mais ricas desses nutrientes, são muito importantes nessa fase de grande desenvolvimento
O estômago das crianças tem capacidade reduzida, então partimos do princípio que quando os alimentamos, esses alimentos devem ser de alto valor nutricional.
Pensando nisso, seguem algumas dicas de como aproveitar ao máximo os nutrientes provenientes dos alimentos para crianças vegetarianas:
-Amamente seu filho pelo menos até os seis meses e se possível estenda até os dois anos, tirando leite com uma bombinha e oferecendo num copo especial. Se isso não for possível, ofereça leite em pó enriquecido. Mas se a criança não se alimenta com leite de vaca, escolha então algum leite de soja em pó enriquecido com vitaminas e minerais;
-A partir dos 6 meses de idade, já podemos começar a incluir alimentos além do leite.
O ideal é que se comece com a papinha ou suco de fruta no lanche da manhã. Acrescente a papinha farinhas como Mucilon de arroz ou mesmo 1 colher de café de farinha de linhaça (triturada na hora). A farinha de linhaça é rica em fibras, vitaminas e minerais, além do ômega-3.
-Depois de um tempo, podemos incluir as papinhas amassadas com garfo.
Procure incluir nas papinhas, além dos legumes e tubérculos (batata, cará, inhame…):
· Vegetais verde escuros – são ricos em vitaminas (A, ácido fólico, C, E, K), minerais (cálcio, ferro, fósforo, magnésio, potássio), fibras e clorofila (fonte de energia) e antioxidantes;
· Leguminosas (feijão, ervilha, lentilha) – são fonte de proteínas vegetais e apresenta em sua composição, carboidratos complexos, fibras, vitaminas do complexo B, minerais como potássio, fósforo, magnésio, zinco, ferro e cálcio. Tofu – Rico em proteínas;
· Arroz integral, aveia, farelo de aveia, macarrão integral.

– Para aumentar a absorção do ferro e ajudar a prevenir a anemia, sirva 1 copo de suco de laranja (Rica em Vitamina C) junto com a refeição;

– As crianças vegetarianas restritas devem tomar suplemento de Vitamina B12;

-Use melado de cana para adoçar os alimentos. Ele tem vitaminas e minerais como o Ferro;

-Conforme a criança cresce, ela come a comida da casa e não mais a papinha. Continue caprichando então na variedade desses alimentos.

Para qualquer criança, seja vegetariana ou não, é importante que a alimentação seja rica e saborosa.
Rica significa bem variada, com nutrientes de todo tipo.
É importante que a comida das crianças seja calórica o suficiente para seu crescimento satisfatório.
Para isso, use cereais integrais, leguminosas, legumes, verduras e frutas regularmente.
Enriqueça os pratos com azeite, castanhas ou nozes picadas, tahine (molho de gergelim, rico em gorduras de boa qualidade e proteínas).

Use variedade de leguminosas como feijões de várias cores, grão de bico, ervilha em grão, lentilha.
Prepare os legumes com pouca ou nenhuma água (para preservar as vitaminas, minerais, textura e sabor).


Fonte

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Terceiro dia de aula.

A professora é um amor. Na sala, estampas coloridas mostram animais de todos os feitios. É preciso querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que envolve toda a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como nós, e além disso são muito úteis.

Quem não sabe que o cachorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Mas não é só ele não. A galinha, o peixe, a vaca… Todos ajudam.

– Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda?

– Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de carga. Do pêlo se fazem perucas bacaninhas. E a carne, dizem que é gostosa.

– Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele?

– Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para outra. Vamos adiante. Este é o texugo. Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo.

– Ele faz pincel, professora?

– Quem, o texugo? Não, só fornece o pêlo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho vai usar quando crescer. Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Além do mais, não gostaria de pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava a utilidade do canguru: Bolsas, malas, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando na carne. Canguru é utilíssimo.

– Vivo, fessora?

– A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz… produz é maneira de dizer, ela fornece, ou por outra, com o pêlo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc.

– Depois a gente come a vicunha, né, fessora?

– Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a crescer…

– E a gente torna a cortar? Ela não tem sossego, tadinha.

– Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve para forro de cadeira, de almofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem?

– A carne também é listrada? – pergunta que desencadeia riso geral.

– Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca vi carne de zebra no açougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser comestível por causa disto. Ah, o pingüim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde costuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados. Vocês devem respeitar o bichinho. O excremento – não sabem o que é? O cocô do pingüim é um adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito com a gordura do pingüim…

– A senhora disse que a gente deve respeitar.

– Claro. Mas o óleo é bom.

– Do javali, professora, duvido que a gente lucre alguma coisa.

– Pois lucra. O pêlo dá escovas de ótima qualidade. – E o castor? – Pois quando voltar a moda do chapéu para homens, o castor vai prestar muito serviço. Aliás, já presta,com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar um bom exemplo.

– Eu, hem?

– Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode encomendar um vaso raro para o living de sua casa. Do couro da girafa, Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade, deixando os pêlos da cauda para Teresa fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade que vocês não calculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. O casco serve para fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa… O biguá é engraçado.

– Engraçado, como? – Apanha peixe pra gente.

– Apanha e entrega, professora?

– Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço dele, e o biguá pega o peixe mas não pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá.

– Bobo que ele é.

– Não. É útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras. Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu, Ricardo?

– Entendi. A gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais, e aproveitar bem o pêlo, o couro e os ossos.

Carlos Drummond de Andrade

Livro: De Notícias & Não-notícias Faz-se a Crônica.

O que é cativar?

Maio 13, 2010

Texto extraído do livro O Principezinho de Antoine Saint Exupéry.


…E foi então que apareceu a raposa:

– Bom dia, disse a raposa.
– Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
– Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
– Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
– Sou uma raposa, disse a raposa.
– Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…
– Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
– Ah! Desculpa, disse o principezinho.
– Após uma reflexão, acrescentou:
– Que quer dizer “cativar”?
– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos d uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…

…Mas a raposa voltou a sua idéia.

– Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…

E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

– Por favor… cativa-me! Disse ela.
– Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
– Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
– É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto…

No dia seguinte o principezinho voltou.

– Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…É preciso ritos…
… Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
– Ah! Eu vou chorar.
– A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
– Quis, disse a raposa.
– Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
– Vou, disse a raposa.
– Então, não sais lucrando nada!
– Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
– Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o principezinho rever as rosas:

– Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.

E as rosas estavam desapontadas.

– Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou três borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

– Adeus, disse ele…
– Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
– O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.
-Foi o tempo que perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
– Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…
– eu sou responsável pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

A dieta vegetariana pode ser seguida por crianças.

Esse texto foi publicado na Revista Diálogo Médico: Vegetarianismo em Pediatria

Autor: Dr Eric Slywitch

Não existem mais dúvidas de que a dieta vegetariana (DV) bem planejada é adequada para crianças. A adequação dietética não depende do ato de comer ou não carne, mas sim da forma de elaborar a alimentação sem ela.
Pelo desconhecimento do que é ou deixa de ser uma DV (inclusive sobre a inclusão ou não de ovos, leite e derivados – que também podem fazer parte da dieta vegetariana), alguns profissionais cometem erros conceituais e interpretativos sobre ela.
Os bebês de mulheres vegetarianas apresentam peso ao nascer semelhante ao de filhos de mães não vegetarianas. O peso desses bebês também atinge os valores esperados para nascimento (O’Connell e cols 1989, Drake e cols 1989, Lakin e cols 1998).
Alguns estudos antigos encontraram crescimento insuficiente em crianças seguindo uma DV. Esse achado foi evidente quando a dieta era muito restrita, como no caso de crianças macrobióticas, que não são necessariamente vegetarianas (VanDusseldorp e col 1996). Esse problema se chama falta de alimentação e não vegetarianismo.
Diversos estudos demonstraram que a DV adotada por crianças ovolacto-vegetarianas promove crescimento semelhante ao das não vegetarianas (Hebbelinck e Clarys 2001, Sabate e col 1990, Nathan e col 1997).
As DVs, inclusive veganas, bem planejadas satisfazem as necessidades nutricionais de bebês, crianças e adolescentes e promovem o crescimento normal (Messina e Mangels 2001, Hebbelinck e Clarys 2001, Mangels e Messina 2001).
As diretrizes para introdução de alimentos sólidos, assim como para o uso de suplementos de ferro e vitamina D são as mesmas para bebês vegetarianos e não vegetarianos (Mangels e Messina 2001).
As crianças veganas podem ter necessidade protéica ligeiramente maior que as não veganas (como as ovolactovegetarianas e as onívoras) devido à diferença de digestibilidade e da composição de aminoácidos das proteínas vegetais, mas esta necessidade protéica é atendida quando a dieta contém calorias suficientes e uma pequena diversidade de alimentos vegetais (Millward 1999, Messina e Mangels 2001, Food and Nutrition Board 2002).
A ingestão média de proteínas das crianças vegetarianas (inclusive as veganas) costuma obedecer ou exceder às recomendações, embora as crianças vegetarianas possam consumir menos proteína que as não vegetarianas (Nathan e cols 1996, Sanders e Manning 1992).
As dietas vegetarianas na infância e na adolescência podem criar padrões alimentares saudáveis para a vida toda e apresentar algumas vantagens nutricionais importantes. Crianças e adolescentes vegetarianos apresentam menor ingestão de colesterol, gordura saturada e ingestão maior de frutas, verduras e fibras que os não vegetarianos (Perry e cols 2002, Sanders e Manning 1992, Fulton e Hutton 1980).
O ponto de maior atenção na dieta vegetariana é a vitamina B12, motivo de inúmeras publicações demonstrando deficiência em adultos e crianças. Dessa forma é recomendado uma fonte segura para crianças e gestantes, principalmente. Consideramos fontes seguras: ovos, leite e laticínios. A maioria dos vegetarianos utiliza esses alimentos. No caso dos veganos a suplementação é a via mais segura para garantir o suprimento dessa vitamina.
A American Dietetic Association (ADA) e Dietitians of Canada consideram que: “Dietas veganas e ovolactovegetarianas bem planejadas são adequadas a todos os estágios do ciclo vital, inclusive durante a gravidez e a lactação. Dietas veganas e ovolactovegetarianas adequadamente planejadas satisfazem as necessidades nutricionais de bebês, crianças e adolescentes e promovem o crescimento normal” (ADA 2003).
O vegetarianismo também é incentivado pela American Heart Association (AHA), Food and Drug Administration (FDA), College of Family and Consumer Sciences (University of Georgia) e já que estamos falando em pediatria, Kids Health (Nemours Foundation).
A American Dietetic Association e Dietitians of Canada são enfáticas em afirmar que os profissionais da área de nutrição têm o dever de apoiar e encorajar os que demonstram interesse em seguir uma dieta vegetariana.

Os alimentos utilizados para a obtenção dos nutrientes numa dieta vegana são muito mais diversificados do que os utilizados por onívoros (Christel e col, 2005). Isso demonstra que a dieta vegana (estrita) não é restrita.

Bibliografia

Messina V, Mangels AR. Considerations in planning vegan diets: Children. J Am Diet Assoc 2001;101:661-669.

Hebbelinck M, Clarys P. Physical growth and development of vegetarian children and adolescents. In: Sabate J, ed. Vegetarian Nutrition Boca Raton, Fl: CRC Press; 2001:173-193.

Mangels AR, Messina V. Considerations in planning vegan diets: infants. J Am Diet Assoc 2001;101:670-677

Perry CL, McGuire MT, Neumark-Sztainer D, Story M. Adolescent vegetarians. How well do their dietary patterns meet the Healthy People 2010 objectives? Arch Pediatr Adolesc Med 2002;156:431-437.

Sanders TAB, Manning J. The growth and development of vegan children. J Hum Nutr Diet 1992;5:11-21.

Fulton JR, Hutton CW, Stitt KR. Preschool vegetarian children. J Am Diet Assoc 1980;76:360-365.

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Sabate J, Linsted KD, Harris RD, Johnston PK. Anthropometric parameters of school children with different life-styles. Am J Dis Child 1990;144:1159-1163.

Nathan I, Hackett AF, Kirby S. A longitudinal study of the growth of matched pairs of vegetarian and omnivorous children, aged 7-11 years, in the north-west of England. Eur J Clin Nutr 1997;51:20-25.

van Dusseldorp M, Arts ICW, Bergsma JS, De Jong N, Dagnelie PC, Van Staveren WA. Catch-up growth in children fed a macrobiotic diet in early childhood. J Nutr 1996;126:2977-2983.

Nathan I, Hackett AF, Kirby S. The dietary intake of a group of vegetarian children aged 7-11 years compared with matched omnivores. Br J Nutr 1996;75:533-544.

Sanders TAB, Manning J. The growth and development of vegan children. J Hum Nutr Diet 1992;5:11-21.

Millward DJ. The nutritional value of plant-based diets in relation to human amino acid and protein requirements. Proc Nutr Soc 1999;58:249-260.

Food and Nutrition Board, Institute of Medicine. Dietary Reference Intakes for Energy, Carbohydrate, Fiber, Fat, Fatty Acids, Cholesterol, Protein, and Amino Acids Washington, DC: National Academy Press; 2002.

Messina V, Mangels AR. Considerations in planning vegan diets: Children. J Am Diet Assoc 2001;101:661-669.
O’Connell JM, Dibley MJ, Sierra J, Wallace B, Marks JS, Yip R. Growth of vegetarian children. The Farm study. Pediatrics 1989;84:475-481.

Drake R, Reddy S, Davies J. Nutrient intake during pregnancy and pregnancy outcome of lacto-ovo-vegetarians, fish-eaters and non-vegetarians. Veg Nutr 1998;2:45-52.

Lakin V, Haggarty P, Abramovich DR. Dietary intake and tissue concentrations of fatty acids in omnivore, vegetarian, and diabetic pregnancy. Prost Leuk Ess Fatty Acids 1998;58:209-220.

via Alimentação Sem Carne – Dr. Eric Slywitch.

vitamina

– Guia Infantil

Alimentação saudável é essencial para a garantia de boa qua

lidade de vida. E isso preocupa, principalmente, os pais que precisam convencer a galerinha de 3 a 6 anos de idade a comer alimentos ricos em vitaminas, proteínas, sais e minerais. Eduardo Fraccarolli Buriola, nutricionista e diretor de uma empresa de comida saudável, afirma que, além de possível, a alimentação saudável e equilibrada para as crianças deve ser estimulada pelos pais e também no ambiente escolar.

Segundo o nutricionista, é na infância que os hábitos alimentares são estruturados, por isso, é importante educar as crianças a comerem coisas saudáveis. Buriola ressalta que os hábitos fundamentados na infância duram por toda a vida.
Os pais precisam estar atentos ao lanche que os filhos levam para a escola. Esse lanche, enfatiza o nutricionista, deve incluir alimentos regionais, ou seja, aqueles que as crianças estão acostumadas. Além de serem alimentos familiarizados, continua Buriola, têm que ser nutricionalmente equilibrados. “Devem entrar no cardápio sucos, frutas, frutas secas, pães integrais, biscoitos sem recheio, bolos caseiros, verduras e legumes, castanhas e laticínios”, sugere Buriola.

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Para diminuir as chances dos alimentos estragarem, as lancheiras térmicas são as mais indicadas. Embora as frutas sejam lanches práticos esaudáveis, diz Buriola, elas não são as únicas opções de lanches. De acordo com o nutricionista, os sucos são ótimas opções porque podem ser feitos da mistura de mais de uma fruta ou de frutas com hortaliças. “O ideal é que o suco seja preparado pouco antes da saída da criança para a escola. Deve ser armazenado em uma garrafa térmica para a criança levar, preservando seu valor nutricional”, rec
O nutricionista lembra que pais e professores devem estar atentos aos intervalos entre uma refeição e outra. Buriola afirma que o recomendado é a alimentação fracionada em pelo menos cinco refeições: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar.omenda.
Não é tão difícil, como alguns pais pensam, convencer a criançada a alimentar-se de forma saudável. Porém, ressalta o nutricionista, a melhor maneira de estimular as crianças a adotar hábitos alimentares saudáveis é ser o exemplo aos pequeninos.
Antes de falar, orienta Buriola, os pais têm que mudar o hábito alimentar de toda a família, incluindo nas refeições mais frutas, legumes, hortaliças, feijões e cereais integrais, ao mesmo tempo em que diminuem o consumo de refrigerantes, embutidos e alimentos processados ricos em açúcar e gordura. “Afinal, as crianças não são muito boas em ouvir, mas são excelentes em imitar”, diz.

Alimentação saudável é essencial para a garantia de boa qualidade de vida. E isso preocupa, principalmente, os pais que precisam convencer a galerinha de 3 a 6 anos de idade a comer alimentos ricos em vitaminas, proteínas, sais e minerais. Eduardo Fraccarolli Buriola, nutricionista e diretor de uma empresa de comida saudável, afirma que, além de possível, a alimentação saudável e equilibrada para as crianças deve ser estimulada pelos pais e também no ambiente escolar.
Segundo o nutricionista, é na infância que os hábitos alimentares são estruturados, por isso, é importante educar as crianças a comerem coisas saudáveis. Buriola ressalta que os hábitos fundamentados na infância duram por to

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da a vida.
Os pais precisam estar atentos ao lanche que os filhos levam para a escola. Esse lanche, enfatiza o nutricionista, deve incluir alimentos regionais, ou seja, aqueles que as crianças estão acostumadas. Além de serem alimentos familiarizados, continua Buriola, têm que ser nutricionalmente equilibrados. “Devem entrar no cardápio sucos,

frutas, frutas secas, pães integrais, biscoitos sem recheio, bolos caseiros, verduras e legumes, castanhas e laticínios”, sugere Buriola.
Para diminuir as chances dos alimentos estragarem, as lancheiras térmicas são as mais indicadas. Embora as frutas sejam lanches práticos esaudáveis, diz Buriola, elas não são as únicas opções de lanches. De acordo com o nutricionista, os sucos são ótimas opções porque podem ser feitos da mistura de mais de uma fruta ou de frutas com hortaliças. “O ideal é que o suco seja preparado pouco antes da saída da criança para a escola. Deve ser armazenado em uma garrafa térmica para a criança levar, preservando seu valor nutricional”, recomenda.

O nutricionista lembra que pais e professores devem estar atentos aos intervalos entre uma refeição e ou
tra. Buriola afirma que o recomendado é a alimentação fracionada em pelo menos cinco refeições: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar.
Não é tão difícil, como alguns pais pensam, convencer a criançada a alimentar-se de forma saudável. Porém

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, ressalta o nutricionista, a melhor maneira de estimular as crianças a adotar hábitos alimentares saudáveis é ser o exemplo aos pequeninos.
Antes de falar, orienta Buriola, os pais têm que mudar o hábito alimentar de toda a família, incluindo nas refeições mais frutas, legumes, hortaliças, feijões e cereais integrais, ao mesmo tempo em que diminuem o consumo de refrigerantes, embutidos e alimentos processados ricos em açúcar e gordura. “Afinal, as crianças não são muito boas em ouvir, mas são excelentes em imitar”, diz
.

Por Dr. Eric Slywitch

Algumas orientações para mães com crianças vegetarianas pequenas, especialmente nos 2primeiros anos de vida:

1) A criança vegetariana, como qualquer criança, deve ser acompanhada para avaliação do crescimento, ganho de peso e desenvolvimento.

Se o seu pediatra é contra a dieta vegetariana, saiba que existem outros que são plenamente favoráveis a essa opção. A junção do pediatra com um médico nutrólogo ou nutricionista que prescreva a dieta vegetariana é uma opção bastante segura.

2) A amamentação pelo menos até os 6 meses de idade é fundamental para o indivíduo. Nesse período deve haver atenção especial ao nível de B12 no sangue da mãe e à dieta para garantir a oferta de vitamina B12 no leite materno.

Caso a mãe não tenha um bom nível sanguíneo e uma boa ingestão da vitamina B12 ou por algum motivo não queira ou não possa utilizar suplementos dessa vitamina ela deve ser ofertada diretamente ao bebê (existem xaropes no mercado com vitamina B12, desenhada para bebês e crianças).

Crianças veganas devem receber alimentos enriquecidos ou suplementos na forma de comprimidos ou xaropes. A injeção é uma possibilidade, mas não deve ser a primeira escolha.

Crianças ovo-lacto-vegetarianas ou lacto-vegetarianas podem não precisar de suplemento de B12, mas convém, além de quantificar a B12 ingerida, dosar os níveis sanguíneos de marcadores de deficiência dessa vitamina.

Durante toda a fase de introdução de alimentos, assim como na infância, deve-se avaliar a vitamina B12, mantendo-se a suplementação.

Como eu conduzo:

– SEMPRE prescrevo a vitamina B12, independente do consumo de derivados animais na dieta vegetariana.

– SEMPRE solicito as dosagens laboratoriais de marcadores de deficiência de vitamina B12. Lembre-se de que manutenção é uma coisa; tratamento da deficiência é outra. Muitas vezes é necessário elevar os níveis da vitamina com doses elevadas e fazer a sua manutenção com o suplemento habitual. Avaliação por meio de exames laboratoriais é fundamental!! Não deixe de fazer os exames só porque utiliza o suplemento.

3) Nunca, jamais, em hipótese alguma, substitua o leite materno ou as fórmulas lácteas especializadas por sucos vegetais ou farinha de cereais ou feijões.

O leite materno é uma alimento especialmente “desenhado” para o bebê.

Na impossibilidade de utilização do leite materno, há diversas fórmulas no mercado desenhadas especialmente para a sua substituição. São elas que devem ser utilizadas e nunca misturas improvisadas. As fórmulas específicas têm composição definida de nutrientes (em termos quantitativos e qualitativos). O médico ou nutricionista deve indicar o seu uso quando necessário.

4) A suplementação de ferro para crianças vegetarianas segue a mesma orientação preconizada para as não vegetarianas.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que toda criança dos 6 meses aos 2 anos de idade receba suplementação de ferro, devido ao elevado índice de anemia nessa faixa etária.

Crianças prematuras devem iniciar a suplementação mais precocemente.

A verificação por meio de exames laboratoriais é fundamental. Deve ser avaliada não apenas os níveis de hemoglobina, mas também de ferritina.

5) Ofereça alimentos ricos em zinco (cereais integrais e feijões) utilizando os métodos de redução do ácido fítico dos grãos.

Deficiência de zinco pode ocasionar redução da velocidade de crescimento, diarréia e infecções em crianças.

É importante saber que pode ocorrer deficiência de zinco mesmo com exames laboratoriais apontando níveis de zinco na faixa de normalidade.

6) A suplementação de vitamina D para crianças vegetarianas segue as mesmas recomendações preconizadas para crianças não vegetarianas.

Apesar da exposição aos raios solares ser uma forma de adequação da vitamina D, sugiro não confiar nessa via de obtenção da vitamina. A minha experiência de consultório demonstra elevado índice de deficiência de vitamina D em pessoas que confiam apenas no sol para a obtenção da vitamina D.

Sugiro sempre dosar os níveis sanguíneos dessa vitamina.

7) Principalmente para as crianças veganas deve-se ficar atento à oferta calórica adequada. A necessidade protéica costuma ser ultrapassada quando a necessidade calórica é atingida com alimentos adequados.

8) Deve-se enfatizar o uso de alimentos mais calóricos de boa qualidade, baseados em grãos: derivados da soja (como tofu), cereais, oleaginosas e sementes (gergelim, girassol…), azeite, óleo de linhaça. Enfatizar o uso do abacate.

Esses alimentos podem, facilmente, ser utilizados na forma de “papinhas”.

Caso os grupos alimentares não estejam misturados (ex: sopa ou purê) procure não oferecer as verduras e legumes em grandes quantidades antes dos outros alimentos, pois podem causar sensação precoce de saciedade.

A fibra dos alimentos promove uma maior saciedade. Apesar do uso de grãos integrais (trigo, centeio, aveia, cevada…) ser muito saudável, se houver necessidade de incrementar a ingestão calórica, convém utilizar os seus derivados, como pães, macarrões e seus flocos e farinhas.

Não restrinja a gordura de boa qualidade da dieta da criança com menos de 2 anos de idade!!

Utilize alimentos ricos em gorduras do tipo ômega-3. O óleo de linhaça deve ser enfatizado. Outros óleos (canola, soja – prensados a frio de preferência) e oleaginosas contém boas quantidades de ômega-3, mas a linhaça é a fonte mais rica.

9) Se precisar adoçar algum alimento procure utilizar melado de cana no lugar do mel ou do açúcar refinado.

Não utilize o mel até o final do primeiro ano de vida.

10) Exames de laboratório periódicos são muito bem vindos.

Fonte: Alimentação sem carne

A frase da capa deste caderno pode não ser familiar – ou até mesmo parecer inverossímil – para a maioria dos pais de crianças pequenas. Afinal, com tantos apelos ao paladar infantil, poucas são as que trocariam, de bom grado, um hambúrguer com cheddar ou um bife recém-saído da frigideira por um prato de verduras, legumes e cereais.

Mas quem educa os filhos no vegetarianismo garante que dá para banir do cardápio a carne e mesmo outros produtos de origem animal, como leite e ovos, sem choro e, mais ainda, sem prejudicar a saúde da criança.

De fato, na infância e na adolescência, é fundamental manter uma alimentação adequada, já que disso dependem o crescimento e o desenvolvimento saudáveis. Quando se trata de uma dieta que restringe alimentos, os cuidados devem ser redobrados.

A discussão sobre o tema fica mais evidente com o crescimento do número de adeptos: não há dados no Brasil, mas, no Reino Unido, por exemplo, estima-se que a porcentagem cresceu de 1,8% da população nos anos 80 para de 3% a 7% em 2001. No 1º Congresso Vegetariano Latino-Americano (www.svb.org.br), que ocorre em São Paulo entre 4 e 8 de agosto, duas palestras abordarão especificamente a alimentação de crianças.

“As principais preocupações em relação às crianças vegetarianas se concentram no ferro, no cálcio, na vitamina B12, no zinco e, quando não há suficiente exposição ao sol, na vitamina D. Alimentos de origem animal, fontes mais ricas desses nutrientes, são muito importantes nessa fase de grande desenvolvimento”, afirma a nutricionista Silvia Cozzolino, professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Universidade de São Paulo) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição.

Para ela, os ovolactovegetarianos –que banem só as carnes– correm menos risco de ter deficiência nutricional do que os veganos, também conhecidos como vegan ou vegetarianos estritos –que não aceitam nenhum produto de origem animal, como laticínios, ovos e gelatina. “Os ovolactovegetarianos ingerem mais proteínas de origem animal e cálcio, além de outras vitaminas e minerais, ao passo que as dietas mais restritas trazem mais riscos, principalmente se seguidas sem orientação.”

O pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, coordenador clínico do Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que estudos de sua equipe mostram que os ovolactovegetarianos apresentam estado nutricional adequado “se não forem radicais”. Já os veganos, de acordo com ele, teriam mais problemas.

Mas, segundo o nutrólogo Eric Slywitch, coordenador do departamento de medicina e nutrição da SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira), estudos provam que mesmo a dieta vegana pode suprir as necessidades da infância e da adolescência. “As pesquisas que indicam crescimento insuficiente são, em geral, feitas com crianças que seguem dietas muito restritas, como certas macrobióticas que não têm qualquer variedade e que nem sempre são vegetarianas. Isso é passar fome, e não ser vegetariano.”

Por Flávia Mantovani

Fonte: Folha Online