Um dos aspectos que tem merecido particular atenção dos profissionais de saúde é a recorrência com que se verificam intoxicações alimentares em casa, sem que por vezes as pessoas interiorizem que a culpa proveio de deficiente manipulação doméstica…

Ainda que, de facto, estejam a ser implementadas fortes medidas de prevenção, essencialmente junto das cadeias de produção alimentar e restauração, e também distribuição, a verdade é que, por vezes, esses sistemas falham e equacionam a integridade microbiológica dos alimentos que o consumidor compra, armazena, confecciona e consome em casa. E quando deambulam pelo lar crianças de tenra idade e indivíduos sériores, como os avós que as visitam, vale a pena reforçar os cuidados…todos agradecem!

A contaminação cruzada, ou re-contaminação, merece neste contexto particular ênfase dado que a transmissão de microrganismos entre distintos alimentos representa um dos maiores perigos alimentares, por vezes negligenciado, e que compromete a segurança que até então foi salvaguardada representando a principal causa das intoxicações alimentares. De facto, microrganismos patogénicos presentes mesmo em baixo nível num alimento podem, ao ser transmitidos para outra matriz alimentar, encontrar aí as condições de desenvolvimento que privilegiam e, num curto espaço de tempo, desencadear uma infecção alimentar.

Este tipo de contaminação alimentar verifica-se, sobretudo, através de uma manipulação humana incorrecta que permite o contacto directo entre alimentos e/ou por acção de utensílios (ex. facas, tábuas, etc.) que contactam entre si. Salienta-se que a contaminação cruzada, ou re-contaminação, pode ocorrer:

– Entre alimentos crus: ocorre frequentemente entre alimentos de origem vegetal (ex. legumes) e alimentos de origem proteica, nomeadamente carne, aves e peixe. Existem microrganismos que predominam nos legumes e encontram nos alimentos, de origem animal, uma oportunidade para se desenvolver até níveis capazes de propiciar a doença se não forem cozinhados por um período de tempo, e temperatura adequada, capaz de os eliminar (ex. alface que decora carne ou peixe exposto num restaurante);

– Entre alimentos crus e cozinhados: geralmente verifica-se por contacto entre superfícies, e utensílios contaminados na preparação culinária Ocorre frequentemente nos frigoríficos quando os alimentos se encontram expostos ao ar (ex. carne a descongelar liberta sucos que vão alcançar uma carne assada que não será devidamente re-aquecida);

– Entre pontos de contacto mal higienizados e os alimentos (crus ou cozinhados): acontece comummente quando um alimento entra em contacto com uma área que esteja contaminada provocada por deficientes condições de higiene. Ex. pessoa que manuseia um alimento sem lavagem de mãos prévia. A intoxicação alimentar poderá despoletar se o alimento for então armazenado no frigorífico, permitindo o desenvolvimento microbiológico, e depois ser indevidamente re-aquecido ou preparado.

Saiba pois que a melhor forma de se proteger contra uma infecção alimentar provocada por contaminação alimentar cruzada reside:

– na preocupação em adquirir alimentos bem frescos,

– separar alimentos crus de cozinhados,

– transportá-los e conservá-los em embalagens estanques,

– assegurar boas condições de higiene na cozinha e nas superfícies de contacto (mãos, tábuas, luvas) e

– re-aquecer os alimentos por um período de tempo prolongado e não apenas até estar pronto a consumir.

A implementação assídua destas directrizes permitirão, com evidente sucesso, promover a qualidade de saúde de todos os membros existentes no lar.

Fonte

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Alimentar crianças, sobretudo nas idades mais precoces é uma tarefa difícil. Mas quando a criança sofre de alergias ou qualquer tipo de intolerância alimentar, o processo torna-se, em simultâneo, complexo, extremamente desgastante e altamente responsável. O estado de saúde  da criança, e até a sua vida, pode estar em causa, em cada produto, em cada colher, ainda que nas quantidades mais baixas… Pois há riscos. Sérios riscos.
E, como se não bastasse, a oferta em Portugal é escassa: faltam ideias e produtos também. E faltam também preços acessíveis que permitam suportar o orçamento doméstico e tornar exequível a alimentação especial. O resultado não poderia ser pior: uma alimentação monótona e pouco prática que cansa a criança e a impede de um crescente desenvolvimento palativo, e consequente educação alimentar, mas também a pressiona por factores psicossociais como a ansiedade da família e a difícil integração na sociedade, nomeadamente da creceh, aspectos que se enraizam a médio prazo e desgastam sobretudo o convívio familiar. Portanto, os critérios alimentares extinguem-se muito antes de seres implementados e são necessárias medidas que apoiem esta Alimentação…urgentemente!
Neste artigo falarei um pouco naquilo que pode ser feito na Alimentação das crianças alérgicas /intolerantes. Tentarei ser prática respeitando sempre a delicada, e responsável tarefa, que algumas progenitoras me colocam quando me procuram.
Há 3 aspectos fundamentais, logo à partida, a ter em consideração nesta abordagem:
– O tipo de inadaptabilidade alimentar: alergia ou intolerância ? E este aspecto é vital pois as alergias são extremamente meticulosas e cuja hipersensibilidade pode ser microscópica. A intolerância é mais permeável e não exige um controlo tão rigoroso na análise do rótulo alimentar. Portanto, cuidado na adopção de conselhos de amigos, e familiares, pois nem sempre se enquadram no quadro clínico que a sua criança apresenta.
– Outro aspecto fatídico, é o alimento alvo que oferece perigo à criança, sabendo-se, contudo, que uma criança susceptível a determinado alimento poderá ser, na maior parte dos casos, vulnerável a outros alimentos com carácter alérgeno (ex. soja, ovo, amendoim…). Este aspecto adquire uma dimensão básica quando nos apercebemos que alguns destes ingredientes, ainda que em pequenas quantidades, são utilizados como adjuvantes tecnológicos apenas para melhorar a textura dos produtos alimentares processados. O resultado: aumento da restrição dos alimentos a introduzir na dieta infantil…
– Por último, e de pertinência acentuada, é a idade da criança, sobretudo porque é preciso respeitar também as suas exigentes especificidades nutricionais face a todas as limitações impostas pelo médico assistente e pelo mercado também!
Portanto, penso que retratados estes cruciais aspectos e esperando que a leitora ainda se sinta motivada a continuar a ler depois deste relato tão desmotivante :-)), é pois altura de esquematizar o que, efectivamente, é possível fazer:

Alergias alimentares

Leite de vaca
Se representa o alimento a evitar, e estando o bebé já desmamado, substitua-o por leites de origem vegetal: de soja, de aveia, de amêndoa, de arroz ou millet. Saiba contudo que a soja é também um alimento alérgeno e inadequado para crianças com idade inferior a 12 meses, pela sua difícil digestibilidade. Além disso não deve ser dado de forma contínua, razões pelas quais o consumo infantil deste alimento, nas suas diferentes formas de apresentação, deve ser bem avaliado. É pois importante que adquira papas sem leite na sua composição e as prepare com estes leites, de origem vegetal. Deve igualmente ter em atenção a proibição de iogurtes, bolachas e pão, que contenham leite, ou vestígios deste (soro, manteiga) na sua constituição. Existe alguma variedade de bolachas biológicas que pode adquirir e de pão também. Os iogurtes, no geral, estão todos desaconselhados pelo que considero interessante o consumo de kefir*, elaborado a partir de um leite vegetal. Contudo, desconheço questões sensoriais como o sabor, tão importante neste processo de aprendizagem alimentar… A única gordura permitida para cozinhar é o azeite , excepcional também pelas suas propriedades nutricionais.
A alimentação infantil, neste caso, fica sufocadamente restrita. A solução passa, sobretudo, pela adopção de uma dieta o mais natural possível, à base de fruta, cereais e outras fontes de proteína animal, como o ovo, se o pediatra ou alergologista o permitir… Chamo ainda a atenção para o facto de se impedir, a todo o custo, a privação da ingestão de cálcio , exigente nas idades mais precoces e comum em crianças com alergia à PLV . É pois importante complementar a alimentação com legumes verdes como o bróculos ou o agrião, muito ricos neste mineral.

Ovo
Existente em grande parte nos alimentos processados, é mais fácil de o detectar, e evitar. A má notícia é que este tipo de alergia, na maior parte dos casos, veio para ficar…ao contrário das restantes. De evitar sobretudo os alimentos processados, como por exemplo bolachas, croissants e … as festas! Forneça uma simpática lista dos alimentos a evitar a quem convidar o/a seu filhote/a … Afinal numa idade mais avançada a criança está sensibilizada, e deve, integrar-se socialmente. É importante.Intolerâncias alimentares

Lactose
Presente nos produtos lácteos, assusta as mamãs que desconhecem que a fermentação anula o seu efeito, já que as bactérias fermentativas transformam este açúcar natural em ácido láctico, aceite pelo organismo. Infelizmente, tomei recentemente conhecimento, de 2 situações que prejudicam os intolerantes à lactose: a) os industriais interrompem a fermentação, antes de terminar, garantindo assim menor acidez no iogurte . Resultado: restam vestígios de lactose!; b) para tornar os iogurtes mais doces, de uma forma mais saudável, adicionam lactose como substituinte do açúcar. Qualquer dia despeço-me deste cargo! Portanto esqueçam que a lactose se transforma em ácido láctico e protejam-se, evitando os iogurtes à base de leite de vaca. Alterne com os de soja , após os 12 meses, e com papinhas de fruta. E recorram, favoravelmente, aos leites comerciais 0% lactose que, apesar de caros, são alternativas interessantes com que poderá cozinhar também.

Glúten
Este ingrediente, dentro das intolerâncias, e portanto de menor impacto, representa contudo um verdadeiro obstáculo. Mais uma vez, e tal como o leite de vaca, porque representa um alimento que contribui para ajustar a textura de imensos alimentos processados. De evitar, a todo o custo, o trigo, o centeio e na dúvida, a aveia. Recorra unicamente aos alimentos que tenham milho na sua composição. E claro está, mais uma vez, cuidado com as bolachas e o pão. Na minha opinião, recomendo, neste tipo de intolerância, que faça em casa ou encomende em padarias de confiança. Alguns produtos rotulados sem glúten oferecem-me pouca confiança: a substituição tecnológica de glúten veicula outros ingredientes, sobretudo EE’ s, pouco interessantes e também de efeito negativo no organismo infantil. A boa notícia é que este tipo de intolerância desaparece nos 1ºs anos de vida, na maior parte dos casos…

Um levantamento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos fez um alerta sobre alergias alimentares. De acordo com eles, houve de 1997 para 2007 um aumento de 18% no número de crianças com algum tipo de alergia a comida, e no último ano cerca de três milhões de jovens menores de 18 anos apresentaram algum tipo de problema nesse sentido. A pergunta que se tentou responder, então, foi a seguinte: porque o número de crianças e adolescentes alérgicos está aumentando?

Inicialmente, levantaram duas teorias. Uma é a de que nos países industrializados, principalmente, há entre as crianças um contato muito maior com tipos diversificados de bactérias, que podem desencadear uma série de doenças e aumentam o risco de reações alérgicas. A outra era a de que hoje em dia as crianças começam a se alimentar mais cedo e com maior frequência de certos alimentos que provocam alergia em muitas pessoas, tais como nozes e frutos do mar. Um grupo de pesquisadores de Boston (Massachussets, EUA), resolveu investigar mais a fundo.

Um hospital da cidade registrou que as entradas clínicas por alergia alimentar sofreram um aumento superior a 100% entre 2001 e 2006. Baseados nesses milhares de casos, eles se concentraram nos sintomas apresentados e não nos diagnósticos dados à época. Motivo: as diferenças que ainda existem entre os médicos na interpretação de reações alérgicas.

Isso significa duas coisas: a primeira é que o aumento nas reações alérgicas não foi acompanhado de um aumento da atenção dos médicos a esse problema, devido à falta de informações sobre algumas delas. Além disso, quer dizer que o número de casos registrados está abaixo do número que realmente ocorreu, já que nem todas as alergias ocorridas no período foram diagnosticadas como tais.

Analisando os casos, eles descobriram que algumas dietas comuns ao ocidente, pelo menos, têm elevado as ocorrências alérgicas. Isso foi baseado em uma outra pesquisa, com crianças de uma vila de Burkina Faso (antigo Alto Volta), país do noroeste africano, em comparação com crianças do meio urbano em Florença, na Itália. Foram recrutadas 15 crianças de cada uma dessas populações, que tiveram suas floras intestinais observadas. Devido a uma dieta natural, livre de qualquer aditivo químico nos alimentos, as crianças do meio rural apresentavam menos propensão a alergias alimentares.

Na comunidade de Burkina Faso, eles produzem seu próprio alimento e vivem apenas disso, semelhante ao que toda a humanidade fazia há 10 mil anos. A dieta é principalmente vegetariana, já que é uma região onde raramente há disponibilidade de carne. Na população urbana de Florença, por outro lado, existe uma alimentação abundante em açúcar, alimentos calóricos ricos em gordura animal. Há uma maior variedade.

Em suma: a menor biodiversidade de bactérias no sistema digestivo dos africanos os tornava menos propensos a alergias alimentares.

E há nesse caso uma grande ironia: crianças que vivem em ambientes demasiadamente higiênicos tem maior tendência a alergias. Explicação dos pesquisadores: o sistema imunológico dos africanos está constantemente ocupado em combater as bactérias ingeridas devido à falta de higiene. No caso dos europeus, não há bactérias nocivas a combater, razão pela qual a atenção do sistema imunológico deles é desviada, para combater as bactérias inofensivas presentes em alguns alimentos. Assim a imunidade estaria lutando contra coisas que não deveria.

Recomendações gerais dos médicos: evitar que as crianças comam alimentos com alto índice de alergias, como nozes, amendoins e frutos do mar, até três anos de idade. Por vezes, a criança nasce com uma tendência genética a certas alergias alimentares, mas esta desaparece se ela não comer nenhum desses alimentos até determinada idade. Assim, é mais seguro dar à criança mais jovem apenas alimentos básicos. Até que a criança tenha idade suficiente para fazer um teste de alergias, não invente moda.
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Fonte: Hype Science