As recomendações de uma mãe que optou por este regime para os filhosAlimentação vegetariana para crianças

Os alimentos de origem vegetal podem substituir por completo a carne e o peixe na alimentação das crianças.

Essa é a convicção de Gabriela Oliveira, jornalista e autora do livro «Alimentação Vegetariana para Bebés e Crianças» (Arte Plural Edições), mãe de três crianças vegetarianas.

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Autora: Meire Gomes*

Artigo publicado no livro ‘Pediatria Radical’ (Ed. Senac – Brasília)

No processo evolutivo da espécie humana ocorreram pressões ambientais que culminaram numa capacidade de aproveitamento de várias fontes de alimento para subsistência. O homem é onívoro, ou seja, é preparado para digerir e absorver alimentos de origem animal e vegetal. Dependendo dos costumes e da disponibilidade de alimentos em uma região, o homem se alimenta de maneiras que podem parecer bizarras para quem está a quilômetros de distância ou em outros países. Dietas que para nós parecem exóticas e até repugnantes, fazem parte da rotina de outros povos. Não temos necessidade de ingerir toda a opção gastronômica do mundo para nos mantermos saudáveis. Uma boa dieta deve fornecer nutrientes em equilíbrio de forma a satisfazer as demandas de nosso organismo mantendo o ritmo de crescimento e desenvolvimento das crianças e os requerimentos nutricionais dos adultos.

Há evidências de que dietas equilibradas, sejam elas vegetarianas ou onívoras, garantem igualmente as necessidades nutricionais do ser humano (1), com discreta vantagem da dieta vegetariana no quesito prevenção de doenças crônico-degenerativas (13). Vegetarianos ou onívoros que arrogam para sua dieta vantagens não vistas na outra estão igualmente desinformados. Nutrição não é religião, é ciência; trabalha-se com evidências e não com crenças. Mais importante do que a pessoa não come é o que ela come.

O índice de anemia é similar entre os dois grupos, contrariando o mito de que vegetarianos são anêmicos (5; 13). Não há consenso se há diferença na expectativa de vida entre os que escolhem ser vegetarianos e os que se mantêm onívoros, mas há evidências de que a qualidade de vida dos vegetarianos seja melhor (2). São pesquisas difíceis de avaliar, pois pessoas vegetarianas habitualmente têm nível sócio-econômico e cultural maior que a média dos indivíduos onívoros e não sabemos até que ponto podemos creditar essa qualidade de vida à dieta ou à maior acessibilidade dos indivíduos vegetarianos aos meios que garantem melhorias na qualidade de vida, como o acesso aos cuidados de médicos e nutricionistas. O fato é que as pessoas devem ter suas escolhas respeitadas e não sofrerem marginalização pela equipe de saúde por suas opções não convencionais. O desconhecimento (4) e a falta de respeito à diversidade gera mitos difíceis de serem trabalhados por nascerem justamente de um meio onde deveriam ser combatidos.

Se a família é vegetariana e manifesta o desejo de criar seus filhos mantendo a rotina alimentar da família, deve ser apoiada e se necessário, uma avaliação com nutricionista pode ser indicada. Não trataremos aqui de dietas restritas como a dos frugívoros (alimentação exclusivamente com frutas) nem das dietas macrobióticas ou outras baseadas em metafísica, pois não há evidências de que sejam bem indicadas para a criança (5; 10).

A motivação para uma dieta vegetariana pode ser religiosa, filosófica (11), uma forma de protesto contra a matança de animais (7), simplesmente uma questão de paladar ou de saúde. Em alguns países a motivação é econômica. Há pessoas que se sentem mais dispostas quando excluem determinados itens de sua dieta, e entre esses itens, as carnes podem fazer parte. Afirmações de que pessoas que comem carne são mais agressivas ou que pessoas vegetarianas são mais pacíficas não têm respaldo científico. No geral, pessoas vegetarianas têm um comportamento “light”, não necessariamente ligado à dieta, mas provavelmente ao seu estilo de vida. A mesma afirmação cabe para pesquisas que mostram que crianças vegetarianas têm QI superior (9), mas a análise metodológica desses estudos não nos parece mostrar validade na conclusão. Não há elementos que levem à conclusão satisfatória de que exista diferença entre o QI de crianças sem desnutrição por tipo de dieta (12). Não julgamos interessante uma família que não tem hábito vegetariano querer impor ao filho uma dieta vegetariana.

1. Quais são os tipos de dietas vegetarianas?

O que há em comum entre as diversas formas de vegetarianismo é a exclusão de todas as carnes, inclusive peixes e frutos do mar. Descreve-se um grupo de semi-vegetarianos, formado por aqueles vegetarianos que eventualmente consomem peixe ou outro tipo de carne.

Vegans: São os vegetarianos restritos. Na sua dieta não há nenhuma fonte de origem animal.

Lacto-vegetarianos: Admitem o uso de leite de vaca e derivados em sua dieta.

Ovo-lacto-vegetarianos: Além do leite de vaca e derivados, admitem o consumo de ovos.

2. Uma criança pode se manter saudável sendo vegetariana?

Sim, como uma criança com dieta onívora também pode se manter saudável, desde que ambas sejam equilibradas, sem deficiência de vitaminas e outros elementos (como ferro e zinco). O estímulo ao aleitamento materno é fundamental para qualquer criança, assim como as medidas de higiene, o estímulo ao desenvolvimento, o afeto da família e os cuidados preventivos de saúde, como as vacinas. Não é só a dieta a responsável por uma infância feliz e saudável (8).

3. Quais os cuidados adicionais para prevenir a deficiência de algum nutriente?

Toda criança, independente da dieta que recebe, deve ter seguimento clínico regular com seu pediatra, que vai avaliar as condições gerais de saúde, seu crescimento e seu desenvolvimento. Crianças com dietas especiais, como crianças com doença celíaca, diabetes, alergias alimentares e crianças vegetarianas (3; 5), podem requerer auxílio de um nutricionista até a família se adequar à rotina necessária para garantir as necessidades da criança.

O crescimento de crianças vegetarianas, inclusive vegans, segundo a American Dietetic Association apoiada pela Academia Americana de Pediatria (5) é similar a de crianças nutridas por outro tipo de dieta que tenha um planejamento igualmente adequado. Dietas com restrições severas podem retardar o crescimento.

A desvantagem da dieta vegetariana na infância se encontra em dietas vegans no primeiro ano de vida, pela dificuldade de se ofertar uma adequada cota calórica. Curiosamente, a cota protéica que é a maior preocupação leiga e de alguns profissionais de saúde, não tem saldo negativo nos vegans. Uma combinação de vegetais e grãos fornece proteínas adequadas para o crescimento de crianças e lactentes. Indicamos um seguimento com nutricionista experiente para adequação calórica quando a família não aceita o uso de leite, derivados e ovos.

A vitamina B12 é encontrada apenas em alimentos de origem animal (8). A deficiência de vitamina B12 é rara entre vegetarianos não-restritos. Muitos produtos como iogurtes, biscoitos, achocolatados, cereais infantis, o leite de soja industrializado e outros alimentos são acrescidos de vitamina B12.O leite de soja em fórmula para lactente seria um grande aliado, mas entre os vegans pode existir resistência ao uso de alimentos produzidos por algumas multinacionais. Há indicação de suplementação desse elemento caso a criança não faça uso de alimentos fortificados.

A suplementação de vitamina D só está indicada nos caso de crianças privadas da luz solar e em vegans de etnia negra. O conteúdo de ferro em dietas vegetarianas é satisfatório. A baixa biodisponibilidade do ferro de origem vegetal é compensada pela ingesta de frutas ácidas, que aumentam a absorção do ferro (5; 6; 13). Não há relato de deficiência de Zinco em crianças vegetarianas além do encontrado na população geral.

A ingestão de cálcio na dieta vegetariana de crianças é tão boa quanto a de crianças com dieta onívora. Em crianças vegans, se não houver consumo adequado de vegetais folhosos escuros e nozes, um suplemento de cálcio pode ser requerido. O consumo de leite e derivados feito pela maioria das pessoas vegetarianas garante a cota necessária de cálcio se a quantidade requerida não for obtida através dos folhosos.

4. Onde encontro receitas?

4.1 – Livros:

Cozinha Vegetariana

Autora: Carolline Bergerot

Editora Cultrix

Lar Vegetariano

Autores: Ivonete do Amaral Dias Nakashima e colaboradores

Editora Cultrix

4.2 – Internet:

http://www.vegetarianos.com.br/receitas.htm

http://www.vegetarianismo.com.br/

http://www.livrodereceitas.com/vegetarianas/index.html

http://br.geocities.com/vv_receitas/index.htm

http://www.vidyayoga.org/vegetarianismo/receitas/

Algumas referências:

(1) http://www.eatright.org/cps/rde/xchg/ada/hs.xsl/home_4635_ENU_HTML.htm

(2) http://www.eatright.org/cps/rde/xchg/ada/hs.xsl/nutrition_8053_ENU_HTML.htm

(3) http://www.eatright.org/cps/rde/xchg/ada/hs.xsl/home_4051_ENU_HTML.htm

(4) http://www.centrovegetariano.org/index.php?article_id=342

(5) Manual of pediatric nutrition, 4th edition – American Academy of Pediatrics

(6) Adolescent Vegetarians: How Well Do Their Dietary Patterns Meet the Healthy People 2010 Objectives? Perry CL, McGuire MT, Neumark-Sztainer D, Story M. Arch Pediatr Adolesc Med. 2002;156:431–437

(7) The vision of vegetarianism and peace: Rabbi Kook on the ethical treatment of animals History of the Human Sciences 2004 17: 69-101

(8) American Journal of Clinical Nutrition, Vol. 78, No. 1, 3-6, July 2003

(9) BMJ 2007;334:216-217

(10) Canadian Medical Association Journal, Vol 156, Issue 10 1454-1455

(11) Amato, PR, Partridge SA. The new vegetarians: Promoting Health and Protecting Life. New York, 1989

(12) Dwyer JT, Miller LG, Arduino NL, et al.Mental age and IQ od predomnantly vegetarian children. J Am Diet Assoc

(13) http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v9n1/11.pdf

via Vegetarianismo e Crianças « ♦ SALADA MÉDICA ♦.

 

Terceiro dia de aula.

A professora é um amor. Na sala, estampas coloridas mostram animais de todos os feitios. É preciso querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que envolve toda a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como nós, e além disso são muito úteis.

Quem não sabe que o cachorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Mas não é só ele não. A galinha, o peixe, a vaca… Todos ajudam.

– Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda?

– Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de carga. Do pêlo se fazem perucas bacaninhas. E a carne, dizem que é gostosa.

– Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele?

– Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para outra. Vamos adiante. Este é o texugo. Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo.

– Ele faz pincel, professora?

– Quem, o texugo? Não, só fornece o pêlo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho vai usar quando crescer. Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Além do mais, não gostaria de pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava a utilidade do canguru: Bolsas, malas, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando na carne. Canguru é utilíssimo.

– Vivo, fessora?

– A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz… produz é maneira de dizer, ela fornece, ou por outra, com o pêlo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc.

– Depois a gente come a vicunha, né, fessora?

– Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a crescer…

– E a gente torna a cortar? Ela não tem sossego, tadinha.

– Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve para forro de cadeira, de almofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem?

– A carne também é listrada? – pergunta que desencadeia riso geral.

– Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca vi carne de zebra no açougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser comestível por causa disto. Ah, o pingüim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde costuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados. Vocês devem respeitar o bichinho. O excremento – não sabem o que é? O cocô do pingüim é um adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito com a gordura do pingüim…

– A senhora disse que a gente deve respeitar.

– Claro. Mas o óleo é bom.

– Do javali, professora, duvido que a gente lucre alguma coisa.

– Pois lucra. O pêlo dá escovas de ótima qualidade. – E o castor? – Pois quando voltar a moda do chapéu para homens, o castor vai prestar muito serviço. Aliás, já presta,com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar um bom exemplo.

– Eu, hem?

– Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode encomendar um vaso raro para o living de sua casa. Do couro da girafa, Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade, deixando os pêlos da cauda para Teresa fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade que vocês não calculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. O casco serve para fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa… O biguá é engraçado.

– Engraçado, como? – Apanha peixe pra gente.

– Apanha e entrega, professora?

– Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço dele, e o biguá pega o peixe mas não pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá.

– Bobo que ele é.

– Não. É útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras. Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu, Ricardo?

– Entendi. A gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais, e aproveitar bem o pêlo, o couro e os ossos.

Carlos Drummond de Andrade

Livro: De Notícias & Não-notícias Faz-se a Crônica.

O que é cativar?

Maio 13, 2010

Texto extraído do livro O Principezinho de Antoine Saint Exupéry.


…E foi então que apareceu a raposa:

– Bom dia, disse a raposa.
– Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
– Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
– Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
– Sou uma raposa, disse a raposa.
– Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…
– Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
– Ah! Desculpa, disse o principezinho.
– Após uma reflexão, acrescentou:
– Que quer dizer “cativar”?
– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos d uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…

…Mas a raposa voltou a sua idéia.

– Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…

E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

– Por favor… cativa-me! Disse ela.
– Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
– Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
– É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto…

No dia seguinte o principezinho voltou.

– Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…É preciso ritos…
… Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
– Ah! Eu vou chorar.
– A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
– Quis, disse a raposa.
– Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
– Vou, disse a raposa.
– Então, não sais lucrando nada!
– Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
– Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o principezinho rever as rosas:

– Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.

E as rosas estavam desapontadas.

– Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou três borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

– Adeus, disse ele…
– Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
– O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.
-Foi o tempo que perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
– Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…
– eu sou responsável pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.